“Você se apóia nos balcões de bares sem nome e endereço, procura por rostos que já morreram em corpos que ainda estão vivos, pagando bebidas sem gosto para pessoas sem passado, em um momento sem presente, em uma realidade sem futuro. Eu vejo você dançar ao som da música que já se silenciou, sentindo os perfumes que já desapareceram, das flores que murcharam, dentro dos jardins que morreram. Eu vejo você, perdida, tentando acender seu cigarro com o fogo que se apagou, tentando completar seu copo com a garrafa vazia. Calma, garota. Pisca os teus olhos, que eles estão embotados de lágrima e conformismo. Abaixa a sua bússola, que ela não tem um norte. Esquece o que te ensinaram na escola, porque o mundo acabou e começou de novo, e tudo mudou. Se agarra ao que puder, que a sua vida está passando. Pula dentro de um trem que te leve pra felicidade. E se for longe de mim, paciência. Vai pra longe de mim se isso te fizer feliz, que vai me fazer feliz também. Se a sua estrada para a felicidade continuar sobre o mar, eu vou estar lá para ser seu navio. E se uma tempestade me afundar, você pode se agarrar nos destroços que eu estou disposto a me transformar, nos destroços que eu já sou.